25.10.09

pequeno exercício de escrita



(a Música que teclou isto: The Blowers Daughter - Damien Rice)


Hoje a manhã caiu nos meus braços com o cheiro a um Inverno anunciado pela(s) tua(s) ausência(s).

Trazia flocos de palavras por dizer
e o orvalho de sonhos que não ousei contar,
mas que amontoei nos vidros do teu carro,
na esperança que te acompanhassem
no incógnito e no proibido.

Hoje a manhã caiu nos meus braços distraídos.

E, a braços com uma realidade redundante,
respirei o ar da certeza,
que só a maior improbabilidade poderia diluir
nas lágrimas que bordejam os dedos da minha mão,
resistente à negação que estalou
na palma que não quiseste agarrar,
e ter como tua,
qualquer que fosse a estação.

Hoje a manhã caiu nos meus braços
como um animal selvagem adormecido.

Hiena cujo coração hibernou
num relógio derretido
caído no asfalto da cidade apressada,
e que quando acordar,
irá gritar por esse habitat natural
que a vida destrói
nas ilusões que constrói!

Hoje a manhã caiu nos meus braços
com a luz do entardecer

E neles se enredou,
numa espiral de mortalhas
que não fumei
e onde apontei,
tantos erros,
tantas constatações,
tantas, mas tantas recordações
que a tarde dessa manhã amadurece
e a noite dessa tarde aceita,
teme
e não esquece!

24.10.09

incompreensão




Dave Matthews Band "Mother, Father"

Mother, father please explain to me
Why a world so full of mystery
A place so bitter and still so sweet
So beautiful and yet so full of sad, sad...

Mother, father please explain to me
Why forests march to desert speed
While snowcapped mountains melt away
What do we tell our babies, when do we say, oh

Mother, father please explain to me
How a man who rocks his child to sleep
Pulls the trigger on his brother's heart
He digs a hole right to the middle of this storm of hatred

Mother, father please explain to me
How it could be so this world has come to be
A precious balance in between
Such cruelty and such kindness please

Mother, father please explain to me
How this world has come to be
Unequaled in her blessings, oh, I see
Unbridled hatred so extreme, please tell me

Mother, father please explain to me
How this world has come to be so
Twisted between time and dreams
Oh, mother, father please explain to me
Oh, what's all this talk about?
All this talk about it
Spinning down, down, down, down, down
All this talk about
Endless words without
Nothing's done

Mother, father do you know
Why one man's belly overflows
Another sleeps in hunger's bed
Oh, we trade our world for a piece of bread

Oh Mother, father please explain to me
How this rare world's come to be
A place so full of color yet overflowing
Always in black and white
Drowning in the waters of our...

Mother, father please explain to me
How this world has come to be
While still blessed in all the things we see
Such a sad, sad home for you and me

Come out, and hold,
Come on out you
Come on out you
Come and save yourself

Come on out you
Come on we're taking the water
We're taken the water
We're taken the water
But you know
We got the freedom
We got the freedom

There's no God above
And no hell below
Oh, it's here with us
It's up to us
To keep afloat

How this sweet world has come to be
Oh to keep afloat

Mother, father please explain to me
How this rare world has come to be
Oh, let the blue planet
Let the blue planet

Mother, father please explain to me
Mother, father please explain

11.10.09

Aqui tens :)



"A Borboleta do teu Jardim" - Óleo sobre tela, José Alves


Não sei se a viste...

Passou tangente, por detrás de ti, sim.

Num movimento de dança do ventre,

oblíquo, redondo, nervoso;

Pulsação da terra

que conquista o vento,

massa de ar gigante

que desafia fora de tempo

com a densidade do pó com que são feitos os sonhos


Não sei se notaste,

que mergulhou num assalto

irreflectido, genuíno,

quase inconsciente...

Mergulho cego,

mergulho mortal,

que as suas pequenas asas desafiam,

e desfiam,

para bordar o mais belo voo conhecido.


Contraponto no ar

profundamente impelido

por essa aposta que não fez:

ser livre.

Consigo traz o casulo do passado,

invertebrado animal,

lânguido, frágil, inseguro

devoto de uma beleza

que outrora não lhe assistiu

e, agora sem saber, existe,

na forma de um coração partido

que procura por esse lugar proibido.


Não sei se percebeste,

que só quer ser a borboleta do teu jardim,

uma centelha de sensualidade tímida

nesse não-lugar verdejante

que se revela diferente a cada olhar.


E assim lá vai,

voa,

jura,

acredita,

que te faz parte,

ainda que para ti ausente,

desse espaço onde repousas da existência,

e cultivas os sonhos que te caem das pestanas

como quem só vê o que sente.

3.8.09

A Borboleta do teu Jardim

Escreveste-me tu um dia: "está quase a voar"..uma borboleta majestosa, pintalgada de cores que se escorrem no vento, deixando o rasto perfumado de um destino sem contratempo.


E das tuas mãos vi sair todas as cores, nas formas que o coração pincela; e dos teus olhos, os contos fantásticos de sonhos que neste mundo nunca houvera!

Sabes o quanto me alimentaram? Quantas portas abri em mim por neles entrar?

Quantas tristezas senti pelos não-amados,

quantas glórias vivi ao lado desses soldadinhos de chumbo,

pequenos "nós" abatíveis também nos contos?

E a quanta beleza me rendi,

perfilhada na Menina Polar, que surge etérea, depois da aurora boreal, para aquecer o mais gélido dos animais?

E as aventuras que saboreei, através dessa boneca fugitiva, que abandonou a casinha de madeira, para espalhar serpentinas de cores no céu?

Das tuas mãos vi poesia ser pintada, Pai.
E quero ver mais.

O jardim somos todos nós, e a borboleta traz consigo a missão da permanência, da alegria e da união.

Cuida dela, cuidas de nós.

16.6.09

A Valsinha





óleo sob tela - José Alves



O meu Pai voltou a pintar..depois de tantos anos a diluir-se na aguarela dos seus sonhos, surgiu-lhe a vontade de dançar sob as várias camadas a óleo, e eis a primeira obra.

Oxalá continues, doce!

Uma valsinha para nós!

Tchin tchin!

7.6.09

À mesa com os candidatos

Hoje janta-se com os tubarões. Peço desculpa, mas têm a mesa reservada à semanas.

Como entrada, vai-se servir um paté de projecções eleitorais; assim...uma mistela refinadinha do trabalho imenso de técnicos de estatística, jornalistas, equipas de imagem e informáticos, para que a sua realidade comece a mudar dentro de momentos.

Já começou a saborear? Que bom...não tarda nada o estômago vai pedir mais.

Ora, venha então daí um flute de imagens. Suspensos no borbulhar do champanhe, sorrisos nervosos, vitórias prematuras, olhares ansiosos. Vá beba, tome lá um segundo que não lhe faz mal! Issp!

Já está a sorrir?

Óptimo!

Então agora passemos ao que vê: flashes de candidatos feios, gestos arreganhados "prá TV captar"; garras nas costas uns dos outros; meninas de rostos inteligentes, serenas; jovens excitados, melhor, ESTÚPIDOS, que pertencem à Juventude-do-Raio-que-os-Parta sem nunca terem vivido uma JUVENTUDE a sério (com problemas, sem pápás com veleiros, e acesso às zonas VIPS das discos - "olha, agora que dei uma na cóca, bora lá ao outro lado ver umas miúdas").

Espere...ainda falta beber o restinho: uma Ministra da Educação mal disposta (ela alguma vez esteve bem disposta?), um Mário Linho a fugir de carrinho; um PSD GORDO LARANJA cheio de gomos sedentos para meter ao bolso uns milhares de euros, com a transferência de mais um jogador para a equipa internacional de bolas paradas!

Prato pincipal? Resultados finais estaladiços e ainda a gratinar na chapa!

Tão agradáveis que são os discursos! Palavra! Todos eles fantásticamente humildes, potencialmente criativos, energeticamente exuberantes! (retiro daqui o nosso camarada, velho camarada, do Partido Comunista, que quase me pôs a dormir e com vontade de dizer "Ámen" no final!).

Mas o prato da carne pertence, sem dúvida, ao Primeiro Ministro. Eu a julgar que o moço ia buscar uma carne exótica qualquer para, uma vez mais, me surpreender, com a forma como dá a volta às situações, mas o sacana conseguiu atirar em cheio numa ave em extinção e elaborar um discurso que considerei perfeito. Diabo na terra, é o que é.

Começou por falar aos portugueses, passou pela parte da culpa com a dignidade de um Rei, fez uma belíssima ponte para a questão das legislativas e ainda rematou quase dizendo que da desgraça renasce a fénix voadora, e que, portanto, volta com mais força!

Agora com a sua licença, permita que lhe sirva o prato de peixe: peixe-palhaço Rangel acompanhado com todos.

Nada a apontar. Ganhou. Só uma questão caríssimo: falou por acaso em alternativa?

ALTERNATIVA é o que este país não tem tido! Alternativa na política, penso eu, é poder escolher pelo menos mais que dois. Senão isso não é bipartidarismo?
Não sei, pergunto eu, que não pesco nada, muito menos peixes-balões (pensei até que eram invenção da Disney).

Esfreguem as mãos meus porcos, esfreguem as mãos, que vêm aí mais contactos!
Upa, upa! Com a família do Berlusconi lá, não serão certamente só telefónicos: umas festinhas privadas também são boas de vez em quando, para descansar o Cerebrum do Homo Politicus. Enquanto, em Portugal, se despeja o que a terra dá para o LIXO, enquanto na Europa a população ENVELHECE enconstada pra canto, e os jovens já NÃO TÊM FUTURO: ambiental, financeiro, cultural, patrimonial, nem educacional (ou julgam que se os rankings europeus não fossem tão importantes, esta malta espevitava cabelo nas aulas como o faz?)

Um aparte: na aula da minha frágil Mãe (1,50 de sensibilidade pura não impõe muito respeito aos grunhos) duas alunas andaram ao soco e ao pontapé por causa de sms, ou talvez, por uma ter posto as unhas de gel que a outra já tinha dito primeiro que ia por; e a pobre da professora ainda apanhou por tabela por tentar "manter a ordem"...não é assim com os polícias também? Manter a ordem e a segurança... curioso.

Pena que eu não as conheça pessoalmente, enfim. Trocava-lhes as unhas eu própria! :)

Mas diga, diga, peço desculpa pelos meus devaneios que não percebi...aaahhh está de dieta?
Bom..sendo assim tome lá um bocadinho de abstenção - mas não diga a ninguém que lha servi porque o cozinheiro-chefe diz ser esta a especialidade da casa:
"Segundo a Direcção-Geral da Administração Interna, estão recenseados 9.667.024 portugueses."

"As urnas das eleições europeias de hoje encerraram hoje às 19:00, com as projecções avançadas a essa hora pelas televisões a indicarem uma abstenção estimada entre os 60,7 por cento (SIC) e 65,5 (TVI)." - in Diário Digital do Sapo

Sim, fazendo as contas não votaram 5800.34. Não votaram simplesmente. Não querem saber da política, do país, de nada. Se calhar nem deles próprios. Provavelmente não querem MESMO saber deles próprios.

Mas deixo uma imagem de um boletim de voto para quem não foi votar. Só para ficarem a conhecer... também não ocupa espaço, né? Aqui está!

NOTA: Depois de se recensear, tem de se dirigir a uma sala de voto e, recebido o boletim, só coloca 1 cruz. Uma só. E é no quadrado do partido que deseja, não é fora.

Ou então não coloca nenhuma que também é uma atitude inteligente.

Sem isso este rectângulo, que é Portugal, vai mesmo ficar de fora.

E isso não é só problema seu.

29.5.09

1 sonho + 1 sonho = 1 sonho

Há quem queira ter casa. Há quem queira ter carro. E há quem queira ter as duas coisas (para além de muiitass outras que por vezes são prioritárias).

Eu com este já não queria MAI NADA!

(Nota: as imagens e textos foram colados do site http://www.ecoideias.com/2008/12/a-caravana-solar-verdier-camper/ )







"(...)Baseado no Volkswagen Westfalia surgiu a Verdier Camper, uma caravana equipada com vários elementos ecológicos, como um motor híbrido, painéis solares e vários outros sistemas que farão o conforto de muita gente.

Alexandre Verdier, um designer Franco-Canadiano é o responsável pelo redesenho. Verdier acredita que a solução para os problemas ambientais “reside num design simples e inteligente, e na aplicação da tecnologia para fazer melhor uso dos recursos naturais.”"

"A Verdier Camper vem em cinco modelos para escolha. Cada um com a sua personalidade própria: Woody, Geeky, Ebony, Blueberry e Purity. Cada uma vem equipada com um motor híbrido de quatro cilindros, alimentado por um painel fotovoltaico de 170W no tejadilho. Se a viagem for longa, ou se o sol estiver a escassear, podem encher o depósito com combustível normal até chegarem ao próximo local solarengo. Este painel é controlado por um sistema de GPS que o orienta para o sol e podem inclinar-se até 45 graus para cada lado. Duas baterias armazenam a carga."




"Esta caravana esforça-se por fazer cada espaço contar, seja espaço de armazenamento, camas, uma cozinha desdobrável ou até umas escadas nas costas de um assento para chegar à cama no topo. Contem também vários depósitos de lixo e reciclagem, bem como uma mini-centro de compostagem. Para aqueles que não passam sem um bom filme. Tem um centro de entretenimento, completo com um projector, seis colunas surround e uma tela desdobrável."




Que tal? Vai uma boleia? :)

Sonhar não custa, né...só cerca de 100 mil euros!!

Beijos azuis

23.5.09

La Fura dels Baus - Quem me acompanha?

Nos dias 28 e 29 de Maio, o Coliseu do Porto acolhe o grupo de teatro catalão La Fura dels Baus com a peça "Boris Godunov", dirigido por Alejandro Ollé, que tem como ponto de partida o assalto de um grupo checheno ao Teatro Dubrovka, em Moscovo, em2002. Ollé criou uma ficção que reflecte sobre o poder, a violência, a corrupção e a imposição de ideias. (http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1216790&seccao=Teatro)

Deixo-vos uma pequena amostra do que estes Grandes Artistas conseguem fazer e da emoção que provocam no público. Se ainda houver bilhetes, e alguém quiser alinhar...o meu mail está à disposição!

Beijos a quem me visita!


17.5.09

Pedaços de Contos - I




...ele surgiu-lhe com os movimentos do vento e a voz no peito.

No topo do seu figurino delineava-se um chapéu de abas preto, que se mexia sem rosto, ondulando na contra-luz, desafiando a própria luminosidade com a opacidade da sua EXistência.

Trajava o (des)rigor da noite, numa veste longa, liberta de costuras ou avessos; tecido de um céu estrelado, sem a constelação maior que orienta o norte dos sentidos.

Ela, sentada.

Esquecida na margem de um rio, fitava, uma folha seca que boiava, num andamento lento, compasso da natureza, numa música sem melodia. Ausentou-se a menina de qualquer pensamento, fascinada que estava com aquele ponto de cor, seco, infértil, no leito da vida.

Ele cercou-a sem que desse conta. Emocionou-se com a sua ausência. Porque ela não estava ali, mas lá, naquela pequena barcaça seca sem tripulação, nem orientação.

Num gesto invasor, pegou-lhe na mão, e depositou-lhe uma gota do rio na palma amolecida. Ela acordou, não totalmente. Estava nesse limiar entre a consciência e o sonho, onde a realidade se faz sonhando, e o sonho parece real.

Sorriu.
Um sorriso primeiro louco, depois esmorecido. E brincou com a gota que ampliava os veios da sua carne, como se fosse caminhos encriptados, outrota secos, agora molhados, de um destino que se ia fazendo pelo simples facto de estar.

Dos seus olhos, saíram 2 lágrimas. Que se despediram do queixo e acomodaram-se na sua mão.
A vida, estava nela. Jamais adormecida.

O vulto, num sopro, tirou o chapéu e mostrou-lhe o seu inteiror como quem oferece uma flor.

Ela espreitou curiosa. Lá dentro viu o Universo. Mundos de mundos por descobrir, que se apresentavam assim, na humildade de milhares de pontos luz, que encerravam o mistério da natureza.

Cá fora, o leito de um rio sossegado.

Uma folha que se foi. Centelha de vida que seguiu.

10.5.09

Olhar(es) no Kama Shuddhi

Ficam aqui as recordações de um exercício que mexeu comigo no Curso de Reprogramação Emocional, que tive o privilégio de assistir na Unidade das Antas. Ao som das palavas proferidas pelo Prof. Luís Lopes, caminhamos erroneamente na sala, até ao ponto de parar para comunicar apenas pelo olhar, vivenciando de forma única e singular a presença da pessoa diante de nós. No silêncio dos momentos há mensagens mais fortes que as palavras alguma vez poderão proferir.
Eu ousei escreve-las (ao som desta música que tocou umas 10 vezes!, só para mais tarde recordar.















Agora como antes.
Revejo cada olhar. Alto relevo de almas que descolaram da minha carne a mesma configuração dessa verdadeira forma de arte.
Revejo cada olhar como um diálogo energético, silencioso, transcendente.


Vi uma gerreira desfazer-se. Olhar jovem, doce, profundo, mas num ponto desamparado. Usava um corpo forte e destemido que me enfretou desarmada. Percebeu que a vi sem nada. Só ser. Mulher! E perdeu-se no meu mundo, deitou-se, esqueceu-se, esvaiu-se. Tranquei as mãos, quis segurá-la. Tanto! Erguê-la no seu cavalo com asas e deixá-la ser Rainha, no seu reino interior.


Depois, tropecei num olhar estreio; olhar pela vida refeito - não sei quantas vezes -mas firme e sapiente, que me agarrou para não cair. Olhar mais velho, mas matreiro, num rosto de menina-mulher feliz quando a deixam brincar com a vida.


Por fim caí. Num rosto dulcíssimo, moreno, pequeno, de íris sorridente, íris que se preocupa, íris amiga e atenta, uma íris que sussurrou: "diz". E os meus olhos contaram-lhe (em forma de água e cloreto de sódio) os trambolhões que, apesar de pé, eu estava a dar. E a empatia semi-cerrou-lhe as pálpebras, num "deixa estar" apaziguador, como quem abre a porta de sua casa e convida: "anda, está à vontade".


Nas covas do seu sorriso, escalei-me com pés de barro, e consciente da minha inconsistência, parti para novo reencontro.


Foi então que vi uma fada-menina, delicadamente esculpida em cristal. Trazia um rosto perfeito, moreno, rasgado por dois grandes olhos castanhos, silenciosos mas penetrantes, atentos mas cautelosos.


Este era olhar equilibrado, de quem procura a perfeição, numa sintonia só sua, como quem não quer revelar a pureza que já todos descobriram. Nos seus gestos, nos seus cabelos, no seu fitar. De tal forma que receiei sujá-los, mas tão ingénuos que temi um dia vê-los tombados.


Quarta e última pessoa.
Um amigo. Alguém que admiro. Trajava um peito luminoso, aberto para a alegria, acompanhados por dois braços grandes; tão grande que davam para agarrar o mundo. Alguém que pensa na totalidade, e revolta-se com a complexidade do que é simples na sua autêntica maneira de ver. Então fitei, num formato singular, o que me pareceu ser um verde-seco matizado. Tinha um olhar angular, persistente mas nem sempre! E senti paz, uma paz segura pelos dois, que não se queria quebrada..por medo?..chorar é constrangedor...E engoliu a seco, e os meus pés de barro forçaram a permanência. Depois..
Depois um sorriso, um entendimento de iguais.
Uma aceitação.
Um abraço.
Duas lágrimas de satisfação!

6.5.09

Gripe suína




Recebi uma newsletter da Avazz.org - organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até aos direitos humanos- e decidi passá-la aqui pela sua importância. (mais info http://www.avaaz.org )


"Caros amigos, Estão surgindo indícios de que a gripe suína teve origem em gigantescas fazendas industriais de criação de suínos.

Inclua seu nome no abaixo-assinado pedindo que a Organização Mundial da Saúde e a Organização para a Agricultura e Alimentação investiguem e controlem essas ameaças a nossa saúde,
http://www.avaaz.org/po/swine_flu_pandemic

Ninguém sabe ainda se a gripe suína vai se tornar uma pandemia mundial, mas está ficando cada vez mais claro de onde ela veio: muito provavelmente de uma
gigantesca fazenda industrial de criação de suínos mantida por uma corporação multinacional americana em Veracruz, México. Essas fazendas industriais são repulsivas e perigosas e se multiplicam rapidamente.
Milhares de porcos são brutalmente comprimidos para dentro de celeiros imundos e recebem um jato com um coquetel de drogas, pondo em risco sanitário mais do que simplesmente nossa alimentação.

Esses animais e suas lagoas de estrume criam as condições ideais para gerar novos e perigosos vírus como o da gripe suína.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) precisam investigar e criar mecanismos de controle para essas fazendas a fim de proteger a saúde do mundo.

Grandes empresas de agronegócio tentarão obstruir qualquer tentativa de reforma, então precisamos de um protesto em massa que as autoridades de saúde não possam ignorar.

Inclua seu nome neste abaixo-assinado pedindo uma investigação e controle de fazendas industriais e divulgue-o entre seus amigos e familiares, que nós o entregaremos aos órgãos da ONU. Se conseguirmos 200.000 assinaturas, entregaremos o abaixo-assinado à OMS, em Genebra, juntamente com um rebanho de porcos de papelão. Para cada 1000 assinaturas, acrescentaremos um porco ao rebanho:
http://www.avaaz.org/po/swine_flu_pandemic

Na semana passada, a gripe era o único assunto: o México tem estado quase em paralisia e em todo o mundo as autoridades suspenderam o tráfego aéreo, baniram as importações de carne de porco e iniciaram drásticas medidas de controle para atenuar a propagação do vírus. Enquanto a ameaça mostra sinais de apaziguamento, a questão se desloca para a origem e o modo de conter outro surto.
A Smithfield Corporation, maior produtor de suínos do mundo, cuja fazenda está sendo apontada como fonte do surto do vírus H1N1, nega qualquer ligação entre seus porcos e a gripe, enquanto grandes empresas de agronegócio em todo o mundo gastam enormes quantias de dinheiro em pesquisas para comprovar que a biossegurança é garantida na produção industrial de suínos.

Porém,
há anos a OMS tem dito que “uma nova pandemia é inevitável” e os especialistas da Comissão Europeia e da FAO têm alertado que a rápida transformação de pequenas propriedades em locais de produção industrial de porcos aumenta o risco de geração e transmissão de epidemias de doenças.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA alertam que os cientistas ainda não conhecem todos os efeitos que os compostos contagiosos produzidos em fazendas industriais têm sobre a saúde humana. Há inúmeros estudos sobre as condições atrozes em que vivem os porcos nesses ambientes de produção concentrada e de grande escala, e sobre o devastador impacto econômico da produção excessiva e de grande escala sobre as comunidades de pequenos agricultores.

A própria Smithfield já foi multada em $12,6 milhões e atualmente é alvo de uma investigação do governo americano devido a danos tóxicos causados por lagos de excrementos de porcos ao meio ambiente. Porém, mesmo com todos esses indícios de danos, a combinação do aumento do consumo mundial de carne e de uma indústria poderosa motivada pelo lucro às custas da saúde humana significa que em vez de serem encerradas, as operações nocivas dessas fazendas industriais estão se multiplicando em todo o mundo, subsidiadas por nós mesmos.

No rastro dessa ameaça da gripe suína, vamos fazer com que os produtores industriais de suínos assumam sua responsabilidade. Inclua seu nome no abaixo-assinado para pedir investigação e controle:
http://www.avaaz.org/po/swine_flu_pandemic

Se dermos fim a essa crise sanitária mundial com coragem reavaliando nosso padrão de consumo e produção de alimentos e pedindo urgentemente um estudo sobre o impacto de fazendas industriais sobre a saúde humana, poderíamos criar regras severas de controle dessas fazendas que salvarão a população mundial de uma futura pandemia mortal de origem animal.

Com esperança, Alice, Pascal, Graziela, Paul, Brett, Ben, Ricken, Iain, Paula, Luis, Raj, Margaret, Taren e toda a equipe da Avaaz "

1.5.09

A Nina e o Teco...

...foram os dois passear. Umas vezes de coleira comum, que unia os dois na ânsia da descoberta, outras de coleira individual; mas sempre um à espera do outro (mais ela que ele, convenhamos!).

E assim se fez uma tarde maravilhosa junto à Foz com dois amigos que já são do coração: O Fábio e o Fernando.

Aqui fica um pequenino registo dos canitos amorosos. Comigo as memórias das conversas sem trela!








P.S: Nada de fotos dos meus amigos F's porque o cachet era elevado (são d'uma raça!!) Ainda foi discutido mas não deu em nada!...

Espero que tenham tido um excelente feriado!

29.4.09

Tens lume?





Talvez fosse fácil perceber que as evidências são realidades absolutas,
verdades inquestionáveis que nos caem no chão,
estilhaçando tantos desvios da imaginação,
que brincam connosco como crianças de mãos dadas
à volta de uma vulgar fogueira.

Talvez fosse fácil,
se não fossemos todos perseguidos por essas crianças
que riem, cantam, e dançam com o lume da vida.

Lá-lá-lás que se tornam infernais quando uma faúlha as magoa,
E a evidência surge...
Timbrando-nos de humanos enganados, por vezes falhados,
tantas e tantas vezes desencontrados.

Quem me dera dar-lhes a mão,
deixar de ser eu a madeira que a vida consome
todos os dias,
em forma de estalidos pequeninos,
musicalidades minimalistas
de uma alma minimalista.

Quem me dera ser eu a dançar,
a provocar a imaginação,
aos soluços,
aos arrombos,
n'outrem.

Enganar?

Talvez...

Tornar a existência mais feliz,
menos nisto que nos rodeia,
projecto humano falhado
que se vê nos rostos da sociedade sem rosto,
projecto humano desesperado,
que se vê nas alternativas urgentes que se tomam,
aquando da despedida do passado alibi,
que contem todas as culpas do presente.

Pudesse ser eu a dar-lhes a mão
e não te-las visto
de rosto ferido
e peito aberto
pequenos guerreiros
que cercam a evidência de cada um
todos os dias.

26.4.09

Dancemos no mundo, meus amigos


Porque me fazes bem.
Porque és Bom.
Porque acho este video maravilhoso, dedico-o a ti, que gostas do azul a ser cruzado por bolas amarelas!

:)

25.4.09

Comprimento Máximo Permitido


Quantas palmas mede a tua alma?


Esticas, contorces, alongas…e ela cresce para além de ti? Até onde a levas?

Sentes como vibra, nesse momento de observação vazio que nos desliga de olhos abertos das imagens deste plano?


A minha parece ser do tamanho da minha idade, ao que lhe desconto anos de esquecimento. (também não te lembras deles, pois não?).


Quando é do tamanho do que sinto, tem muitos anos. É uma imperatriz de meia-idade, que vejo sentada no fundo de um salão régio não datado. No meio do amarelo da sua veste, um sorriso é esboçado. Imperceptível. Incolor.


Às vezes desloca o seu báculo num movimento circular, enchendo a alma ainda mais, insuflando-a com um espectro de sensações abruptas que a racionalidade fica a observar.
No fundo da sala, a racionalidade espreita, curiosa, o momento litúrgico da criação do sentir. A racionalidade é o bobo da corte. Olhar cortante, mãos esguias e corpo cambaleante. Faces rosadas de um alcoolismo poderoso, que aprendeu quando começou a viver segundo as leis da sociedade.


Não entra. Não pode.


Para já…


Quando irrompe, destrói o sentimento. Livre, materno, franco, ingénuo. Intoxica-o com as piadas sarcásticas, que a imperatriz ouve, no meio do amarelo da sua veste, com um sorriso esboçado. Imperceptível. Às vezes magoado.


Quantas polegadas terá a tua consciência? As mesmas que as da tua alma?


Serão 2?

Uma por cada mão com que a tentas agarrar, para compreender, acalmar, não perder.

Ou não sabes, e vais vivendo como se as duas se estendessem cada ano; ou encolhessem, não interessa, o que interessa é o dia seguinte, com a cabeça posta no anterior, que pouco significou.

Ou será do tamanho de um metro de madeira antigo, que desdobras para medir o tecido da realidade e a distância que queres manter todos de ti.


Vá, diz-me que não sei.

20.4.09

eu..enfim..

...já tinha era idade pra ter juízo! mas ouvi esta música de manhã e fiquei feliz, porque depois do meu pequeno peixe ganhar rosto, agora ganhou banda sonora (percebem a parte do juízo?)!


Também sei que devia era estar a procurar uma música para uma eventual coreografia de SwáSthya Yoga, mas acredito que se esta veio ter comigo, outras também virão...mais tarde, xim?hehehe!!


Deixo-vos o vídeo. Se eu tivesse conhecido a gaivota que me levou o Mira Céus, talvez a história pudesse terminar assim.


Nouvelle Vague - Waves







Boa semaninha para todos!

19.4.09

jogo Colour my Heart

Hoje passo só por cá para deixar uma sugestão.

Trata-se de um jogo, deliciosamente desenhado, sem pretensões, com uma música cujo autor desconheço infelizmente, mas que toca profundamente.

"Colour my heart" assim se chama. Não se morre, não há inimigos, apenas tem de se movimentar o solitário boneco com as teclas das setinhas (não sei o nome técnico :P) e, sempre que a curiosidade surgir, clicar no ambiente envolvente da plataforma respectiva. A cidade muda, accionam-se engranagens, aparecem mensagens, enfim, experimentem...com paciência! Só pela música vale a pena, acreditem!

Fica o link http://www.freegamesnews.com/en/games/2009/ColourMyHeart.php

Ah! No final, somos surpreendidos com uma frase que passo a citar:

In this monochrome world I will search the depths of the earth and the limitless of the skies for you.

:)

Bom domingo!

17.4.09

mau feitio

Hoje esqueci-me do livro em casa, de forma que a minha manhã começou com o habitual café no "Torreão", acompanhado com a revista da casa que, aliás, desfolho várias vezes quando não tenho mais nada em que pensar.


Abri a revista à sorte, com a certeza que não estava a passar à frente nada de interessante, (porque aliás, nunca há nada de interessante a ler na "Caras") e, por coincidência irónica, acerto outra vez num anúncio de lipoaspiração, que me deixa imediatamente rezingona, duas páginas à frente, num anúncio Slim que faz passar do XXL para o S (cautela que os efeitos são proporcionais a nível cerebral) e, já um pouquinho farta de ver rabos, barrigas e mamas, eis que olho para a televisão do café e vejo uma senhora vestida de branco, a sugar com um tubo de ensaio gigante, um líquido amarelo que nos explica ser a gordura retirada....de uma SALADA!!!!

As saladas são lixadas, pah, - pensei eu - comam francesinhas, à fartazana, meus meninos, de preferência daquelas bem tonificadas, com botox, aspiradas até ter de se mudar o saco, e bem cobertinhas com a maravilhosa e derretida base, à qual vão ficar "coladões" para o resto da vida!

O café soube bem.

Saio, enrolo o meu desprezo pelo ponto a que se está levar a futilidade em forma de cigarro e, eis que um maltrapilho comenta: Isso é paiva! - sim, meu caro, de facto eu tenho mesmo ar de quem fuma um antes de ir pro trabalho, e enfrentar a alfândega, armadores, clientes, APDL e, pior, os objectivos de produtividade.
Às vezes imagino que o Sr Paiva deve ter sido um drogado memorável, alguém que honrosamente desafiou as autoridades do mundo inteiro, a cruzar os céus num charro gigante, carregado de sementes; e que agora, é recordado assim: num tubo cilindrico de papel de arroz, tenha lá dentro o que tiver.


O dia passa. De passagem pelo bairro tiro uma foto que não sei bem para que vai servir.


Chega-se a casa e a porra da tv está ligada. Ouve-se "Charles Smith chama corrupto a José Socrates numa gravação que a TVI vai divulgar"

Corrupto? Por quem sois! Então o eloquente diplomado pela Universidade Dependente (dos lobbies, da favores políticos) poderá ser alvo de tamanha calúnia?!


Um Senhor que apoia agora a recandidatura de um oponente ideológico às eleições europeias que, ninguém se lembra, mas abandonou o país a meio do mandato, e agora mais parece um peixe-balão a chafurdar num mar de regalias, enquanto cumpre o seu papel de marioneta muito bem; vulgo: "fazer pouco é a rara excepção a fazer nenhum". Nahhh. Não me acredito.


A minha alma estarreceu e, como eu acho que vivemos numa sociedade muito equilibrada, sem preconceitos, que tem em vista o harmonioso desenvolvimento do ser como um todo (e não como um rabo!), decidi fazer uma pesquisa na internet sobre sócrates + escandalos filtrada na oppção "Páginas de Portugal" eis o resultado: Resultados 1 - 10 de cerca de 18.500 para escandalo josé sócrates. (0,30 segundos)


O Google é rápido a cortar a respiração.


Os portugueses é que são lentos a cortar as vazas a esta classe política (TODA), sem dinamismo, garra, criatividade e respeito pelo país que EXISTE, mas que eles acham melhor que subsista, como um mendigo mal-nutrido que se arrasta numa conjuntura que só acha que é nossa, quem lhes baixa os braços. E os portugueses coitados, desorientados com tanta porcaria que passa na TV, amedrontados pela crise, até perdem a noção que já tivemos provas mais que suficientes para mandar este governo abaixo e colocar na justiça muito dos que fazem parte dele.


Idealista. Eu sei. Mas tenho o futuro boicotado e acredito-me que se contam pelos dedos os jovens que conseguem ter um emprego decente, casa própria, carro (se isso for importante), filhos e uma vida descansada! Isto, note-se, sem se ter nascido numa família abastada, ou sem se ter tido uma "mãozinha" na carreira.


Depois percebi o porquê da foto. Somos todos egoístas e comodistas. Uns mais que outros. E isso está no meio de nós, a minar o chão como ervas daninhas, que nos habituamos a pisar como se fosse relva acabadinha de lavar.


O Primeiro que se sente.


16.4.09

árvore grisalha




Tem dias que a paz é um paraíso perdido em mim
murmúrio visual humedecido
das lágrimas que bordam os meus olhos
manta colossal que nunca vou usar.

Cliché do crochet da existência:
tantas podem ser as malhas perdidas...

Tem dias que a vejo assim tão distante
mas tão serena
tão em mim
deliciosamente definida
tecida
com o requinte do melhor sentido
que os dias sem sentido lhe dão.

Tem dias
que a paz é parte ausente de mim
são dias em que não existo
subsisto na realidade onde caí
e persisto.

São dias em que me sulco e revolvo toda a terra do meu peito
com as vozes
com as mãos
à procura desse murmúrio inicial
tão curto
sibilante
que ouvi quando surda para o mundo
e que agora nem aqui
nem lado nenhum
reecontro.

São dias sem norte.

Desnorte de mim
No entanto, estando.

Longe dos sonhos,
No entanto, por eles consumida.

São dias sem nada


com a paciência do tempo.

15.4.09

Foi pena...

.

.

...mas já é passado!



(valeu pelo arco-íris!)
;)


12.4.09

Para mais tarde recordar, berum!



Dizem que a Páscoa é tempo de liberdade, de renascimento, de energia.
É curioso que, nesta época, aconteceram-me sempre situações marcantes: mudanças radicais de rumo, rompimentos dolorosos, decisões corajosas tomadas pelo pulso da imaturidade, enfim... Páscoa para mim já vem com a questão "o que é que me vai acontecer agora?!" - :) há quem a coloque na passagem de ano, é verdade...
Acontece, porém, que não sou católica praticante, expressão que aliás não gosto muito de utilizar, uma vez que a considero politicamente correcta, o que me irrita. Como católica, apenas cumpro as festividades, que respeito, e são do meu agrado, pelo facto de juntar a família mais chegada.

Mas esta Páscoa foi a mais doce de sempre! E tenho de registar aqui, porque sim, senti-me no céu!


Com a família a envelhecer, e os Natais, outrora tão mágicos, a tornarem-se menos coloridos; tive a fabulosa notícia que vou ter um/a priminho/a!
E fiquei tão feliz que quase chorei, fiquei tão feliz que não coube em mim essa dádiva miraculosa que por momentos deu sentido à minha vida.

SIM! QUERO-TE VER CRESCER!
Estejas lá onde estiveres, em Aveiro, no Porto, em Gondomar, vou-te mimar como uma prima de primeiríssimo grau (e não segundo como é o caso, humpf!)


Hoje estou feliz e vou dormir tão bem! :)


Espero que tenham tido uma óptima Páscoa!


Beijinhos doces para todos (um especial para ti!)

11.4.09

(imbuída pelo espírito da época)

Este é para um ou dois...






A mulher saiu da costela do homem e não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior; mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida, junto do peito para ser amada".

(autor desconhecido)


(hihihhihihihi)

10.4.09

(ao som de Loving Wings e inspirada pela letra..)

Foto de Eithra - www.olhares.com

Há corações com ossos sim.

Sério.

E nota-se no olhar quem os tem.

Olhos tímidos e fugidios, escondem corações com ossos; ossos que formam pernas; pernas que procuram a diferença nos caminhos, até o atrito do chão as desgastar e as devolver, numa dor insuportável, de novo, à estalagem do peito, na esperança da porta lhes ser aberta.


Claro que esta se abre, recolhendo o errante viajante que volta sempre sozinho, mas mais sapiente; às vezes mais ausente de si próprio, perdido nas paisagens que viu e sentiu.

Traz consigo um sopro, sibilante, gancho de todas as recordações, que o fazem sorrir ou chorar, depende de como as acomoda.

Olhos grandes e cansados escondem corações com braços.

Braços ternos e amigos que são uma extensão da alma pura; e acolhem tudo e todos, porque sabem tão bem do Nada que pode existir, da indiferença, do anonimato que nos rodeia - essa solidão partilhada no Olá que se devolve.

São corações destemidos, que ignoram os perigos de abraçar sem serem abraçados, porque reconhecem que mesmo assim ficam mais ricos.
(às vezes eu descubro que só lhes falta abraçarem-se a si próprios e, digo-lhes num sussurro, o que aprendi com o Manuel Cruz "que o amor é uma doença quando nele vemos a própria cura" - ficam furiosos, furiosos, e dizem-me que eu é que não tenho coração...talvez aí tenham razão).

Depois há olhares quietos e malandros, de várias cores, donos de corações com tronco e bacia ondulantes, que dançam a melodia da sensualidade, desafiando o poder da atracção num jogo que já sabem estar ganho.

São olhares penetrantes, fixos em si, apesar de mirarem outra pessoa qualquer.

São olhares confiantes que hipnotizam com calma, enquanto na pupila do olho, um coração bailarino dança viril o caos dos sentidos.

São olhares que cheiram a um desejo púrpura, mas brincam ao laranja, e às vezes largam-nos no vazio do branco .
(-"foge, foge,"- estes acham-me uma miúda estranha e muito preconceituosa!!)

Depois há os que têm os olhos fechados.

Esses, escondem no lado esquerdo, teias de ossos emaranhados, que sentem mas que estão presos, enferrujados, calcificados, num passado que já não devia assombrar.

Guardam diálogos imaginários que o coração verte, às vezes do peito para os olhos, às vezes do peito para a mão que cala.

São corações que o tempo há-de desossar com a ternura da amizade e a crença na felicidade.
(acredita, acredita...e sorri!)

4.4.09

Loving Wings


(Adoro esta música, todas aliás, adoro este homem..ultrapassa-me...humpf!)







Deixo-vos a letra, uma relíquia:

My heart was made of broken bones
My Soul’s a bag of stick and stone
And out along this dusty road
You have come my love to take me home

I give to you my everything
You’ve given me these loving wings
And angels have all gathered round
to hear me sing my love out loud (oh...)

You lightly lifted me away
Out of a darkness, cold and gray
And I work beneath the midday sun
My cool blue water you have come

I give to you my everything
You’ve given me these loving wings
And angels have all gathered round
to hear me sing my love out loud (oh...)

So take your place here next to me
And I'll take my place there next to thee
And no matter how far we may roam
Its by your side I make my home

I give to you my everything
You’ve given me these loving wings
And angels have all gathered round
to hear me sing my love out loud

Impressão digital da alma




Há sonhos que se prolongam nos dias, e dias que se prologam nos sonhos, numa simbiose quase perfeita, dança harmónica de ondas, que sem se tocar, respiram-se, aproximam-se, ondulantes, reconhecendo o halo do outro, a consistência, a matéria e a não-matéria, frente a frente, dialéctica ondulante, ondulante.

Há sonhos que se prolongam nos dias, e nos elevam muito acima da raiz do presente, essa garra terrena que muitos não ousam largar, o mecanicismo e o objectivismo social.

Há sonhos que se estendem como mantas rendilhadas,
tecidas por mãos gretadas,
cuja sabedoria o tempo já descozeu em lassas cada vez maiores,
numa amplitude universal, criando esse subsconsciente colectivo,
que nos alimenta,
hipnotisa,
une e orienta, tão fundo,
capaz de criar vácuo, tão fundo,
capaz de escarpar a maior dor.

Há dias embriagados por pensamentos que se cruzam na via rápida da imaginação, e manipulam uma outra consciência em nós, nos paralelismos que conseguimos ser e parecer, multiplicidade humana no momento singular.

E às vezes, passa tanto tempo, que a vida faz-se e dá-se-nos, enquanto de olhos cegos passeamos à margem, perdidos,
julgando-nos achados,
nesse estado de clausura sensual que se verte em nós muito melhor que o real,
mão paterna que se forma cá dentro e apazigua,
toca protectora,
peito imaginário,
do sonho que não se cumpre
mas renasce com o sol,
tão mais forte e tão mais novo,
que esquecemos de o tentar realizar,
porque vive em nós
desde sempre
como impressão digital da alma.


(não, este não rima....porreta!) :(

31.3.09

O prometido é devido...









Part I









Part II









(As outras partes estão aqui http://www.youtube.com/watch?v=dfarf7XDqys&feature=related beijoca amiga!)

30.3.09

Poema sem dedicatória

Quem me dera ser
O total conteúdo das tuas palavras doces,
E transformar-me constantemente
Nos sinónimos esforçados que usas
Para explicar a tua noção de amor.

Quem me dera ser
Na frase mais completa de emoção
O sujeito autêntico
O verbo magnânime
O pronome pessoal perene
E o modo de todos os passados.

Quem me dera ser
Um só som
que a tua boca verte.

Gargalhada
Insulto
Grito ou Desejo
Que fica suspenso na acústica do momento.

Quem me dera ser
Criação tua
Inteiramente tua,
Sinónimo de tudo o que conheces,
Hipérbole repetida
Na descrição fantástica da maior mentira,
E manter-me sempre volátil
No diário que a tua voz não consente
Quando conjuga a própria vida!

29.3.09

Banco Alimentar dos Animais





Uma ideia louvável, a divulgar.







E aqui fica o blogue para mais info: http://www.bancoalimentar-animal.blogspot.com/

28.3.09

a propósito do título

Mira-Céus, Mira-Céus! - chamava uma voz de peito alto, branco e majestoso, instalado no centro de uma pedra à beira mar.

Mira-Céus, Mira-Céus! É hoje vem, onde andas peixe desafortunado? - irritada a gaivota alongou o seu corpo sob a linha d'água.

E Mira-Céus nadava, num desespero ansioso, arrastando consigo corpo mal-jeitoso, cadeado pesado da sua existência.

A sua família, numerosa, era também algo temida no mundo aquático, ou não fossem estes peixes eléctricos e carnívoros, capazes de descarregar voltagens relativamente altas, para deixar as suas presas atordoadas.

Mas Mira-Céus era diferente. Dela apenas herdara os protuberantes olhos que mais pareciam suspensos na grande cabeça cúbica, e, sem nem pela carne sentia desejo, muito menos faísca saía no mais oportuno ensejo.

Ora, como em todos os contos deste género, o tal peixe era mal visto pela comunidade: "nem eléctrico, nem carnívoro, apenas com os olhos postos no céu, não sei bem o seu desígnio" .

Para espanto de todos, os anos contaram várias algas, tempo que lhe permitiu crescer com o cunho da solidão, sendo apenas excepção um peixe-gato seu amigo que protegia o pequeno Céus, dos que sabiam da sua fragilidade.

Um dia, decidiu nadar até à superfície sozinho. Nesse dia, travou amizade com uma gaivota.

Há sempre um dia de solidão que se anula a si próprio e que marca as vidas de cada um porque a memória faz-lhe vénia para acontecer.

(Mistérios da existência...)

Esta foi parte da conversa que o sol brindou já alto:

-Não me matas?
-Antes de fazeres a pergunta já o teria feito. Que me queres peixe feio?
-Quero voar.
-Assim mato-te na mesma, imbecil!
-Podes-me comer depois.
-Não dá tanto gozo. Queres voar para quê? Não te chega o oceano? (e sentando-se sob as patas laranja, semicerrou os olhos para dar início à ironia) Essa tua raça faz-me lembrar os humanos, sabes: eléctricos, disparam em todas as direcções, atordoam-se uns aos outros, porque o medo transpira-se-lhes na epiderme, e a cobiça maestra as suas intenções.
Não julgues que te levo ao céu, cabeça cúbica. Se és um peixe deficiente aprende a lidar com isso.
O mar já te chega, vai-te! -e voltando-se, num estender de asas sublime, algo o detém.

- Espera... Não meu dói o que não tenho. Claro que a cobiça faz parte desta condição imperfeita de respirar; mas daí até me doer, revoltar, ou invejar as condições de outrem, vai um passo gigante, que nos transporta para um plano existencial, o qual tenho a consciência que não tacteio.

(a gaivota parou de pé)

-É como se eu vivesse dentro de um aquário, percebes, e não no oceano, e esse plano ou fosse a tampa ou o fundo; e flutuando entre os dois limites, tenho a clara percepção que, se nem na base raspo, quanto mais voar…

(a gaivota não percebeu e por isso voltou a sentar-se).

-Por isso, não me dói o que não tenho. O que não tenho, desconheço. Posso imaginar o que seja, mas não me pertence. E mesmo imaginando, tal nunca nos magoa, porque o imaginário não existe para tal, apenas para nos fazer crer que estamos no sítio certo...e isso é bom.
O que me dói, é este "aquário". A condição. A existência. Doem-me as barbatanas. O ir em frente, e ter de voltar para trás, porque é tudo igual e não termina! Eu aceito que não termine...mas posso desejar que seja diferente, não posso?

-E preferes estar seco, caído no chão, a desesperar por água, a lutar contra o excesso de ar, a sentir as escamas perderem a cor, e a estalarem de inadequação ao meio ambiente? (pergunta a gaivota num tom que a traíu de preocupação)

Mira-Céus sorriu, e disse-lhe com os olhos tão esbugalhados que lá se podia ver as nuvens reflectidas: quantos seres conheces que caminham com essa sensação? Esse cenário não tem de ser o capítulo final de uma história. Às vezes é a própria história.

E nisto aproxima-se o peixe-gato furioso, que de tão preocupado deixa soltar uma faísca que atordoa o seu amigo.

Quando acordou, de novo no fundo do mar, envolto em algas e areias, o peixe seu amigo quis saber que raio andava ele a fazer à beira mar com o pedrador.

-Nada.

-Nada? Que nadas sei eu bem? DIZ-ME!

-Quero voar, amigo, quero voar.

-Queres morrer?

-Não! Quero voar!

-Mas vais morrer, não percebes?

-Gato, ouve-me, estas barbatanas não me merecem. Tu sabes que eu não nado bem. E tu não podes estar sempre a proteger-me. Quantas migrações já perdeste? Quantas famílias deixaste de constituir por mim? E não era esse também o teu sonho? Ter essa horda de peixinhos faiscantes a pontuarem o mar de luz, num dia de tempestade? (o peixe-gato sorriu)

-Sim, mas gosto tanto de ti...
-Eu também, mas eu quero voar.

No dia seguinte, lá estava a gaivota.

Mira-Céus, Mira-Céus! - chamava uma voz de peito alto, branco e majestoso, instalado no centro de uma pedra à beira mar. Mira-Céus, Mira-Céus! É hoje vem, onde andas peixe desafortunado? - irritada a gaivota alongou o seu corpo sob a linha d'água.

E Mira-Céus nadava, num desespero ansioso, arrastando consigo corpo mal-jeitoso, cadeado pesado da sua existência.

Finalmente chegou.

-É hoje? pergunta emocionado.

-É, pah, tem de ser hoje que as gaivotas andam em terra e não quero que me vejam. Estás preparado?

Foi então que Mira-Céus fechou os olhos, absorveu todo o oxigénio o seu pequeno corpo lhe permitiu, e, num golpe certeiro e brusco, foi arrancado da água em direcção ao céu.

Tudo o que viu e sentiu só ele sabe.
Recorda a gaivota que a sua resistência foi admirável, porque não deixou o seu corpo sacudir-se até terem atingindo uma altitude que ela própria nunca experimentara.

Depois de passarem as segundas nuvens, o seu corpo sucumbiu ao desespero e a gaivota, de peito apertado, soltou o pequeno Mira-Céus por cima da nuvem mais próxima.

Cá em baixo, um peixe-gato observou todo o voo, nas esperança de ver o seu amigo ser puxado pela gravidade, de novo até ao grande mar. Mas nada caiu do céu. Nada.

E o peixe-gato triste e revoltado, nadou em 360º graus, procurando no Céus no céu, numa ânsia eléctrica que lhe descarregou as baterias.

Quando a gaivota aterrou numa pedra perto deste, apenas lhe disse: Não caiu, gato. Não percebo o que se passou, não caiu. Desapareceu assim que o larguei.

O gato, preparando-se para o insultar, observou uma vez mais o azul. E aí viu, numa nuvem que se formou, um peixe branco imaculado, que os dois juram que sorriu.

26.3.09

É claro...

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho lindo
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Vínicius de Moraes


(adapatado no género, hehehe)

24.3.09

de regresso..com novo título.. e de olhos postos no céu.

...é giro voltar a um lugar que se teve, tão perto,
amigo íntimo de peito aberto,
exposto a todos os olhares, conquanto sabendo ser só nossa, essa ligação debilmente indestrutível, mas a única implacavelmente genuína: a relação connosco próprios. Experimentar partilha-la pode ser um exercício de dádiva ou de egocentrismo. Todavia, quando surge a necessidade de escrever, este ponto esbate-se na embriaguez da vontade, restando apenas o ter sem o senão, motivo sem motivo. (é como roubarem-nos um beijo! não se pode ficar furioso por isso!)

Poderá ser um blogue de diálogos interiores...Momentos de vazio.
Ainda de vazios dialogantes que só nos dão o interior dos momentos. O interior de momentos que sentimos e vimos como tal. O interior de momentos que acreditamos ser verdade, como se esta existisse de facto, na dimensão que remexemos todos os dias, com missão de os cumprir.

Vazios que nos dão o silêncio das emoções. Esse silêncio delicioso, que vibra cromático na nossa imaginação, verdadeira, verdadeira, verdadeira.
f a l s a, f a l s a, f a l s a...

Mas é sobretudo um blogue de exercicios de escrita. Porque faz-me bem. Porque faz-me Ser... às vezes com os olhos postos no céu.